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Publishers Tendências

A compra do Twitter e os desafios do jornalismo digital

Carla Cruz 9 min de leitura 3 de maio de 2022

A transação multibilionária que deve culminar na compra do Twitter por Elon Musk, o homem mais rico do mundo, reacendeu o debate sobre políticas de moderação, fake news e os desafios do jornalismo digital como fonte confiável de informação.

O pretendente a dono da rede do passarinho azul defende menos austeridade e utiliza como justificativa a liberdade de expressão. Contudo, especialistas analisam que flexibilizar o controle sobre o conteúdo pode estimular as campanhas de desinformação e fazer o Twitter enfrentar problemas com a Justiça.

Ao comunicar sua mais nova aquisição, Elon Musk disse que “a liberdade de expressão é a base de uma democracia em funcionamento” e que o Twitter é “a praça da cidade digital onde assuntos vitais para o futuro da humanidade são debatidos”.

Será mesmo, Mr. Musk?

Analistas acreditam que a escalada de Musk deve piorar o relacionamento entre a plataforma e os governos. “Minha grande preocupação é que essa transformação no Twitter faça com que voltemos 20 anos no diálogo sobre empresas de tecnologia e autoridades constituídas no Brasil”, alertou o diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS), Carlos Affonso Souza, em entrevista ao UOL.

E até mesmo a União Europeia demonstrou preocupação com o assunto. A UE afirmou que Elon Musk deve respeitar as leis digitais do bloco e que suas regras se aplicam a todas as plataformas utilizadas na região. O objetivo, segundo a entidade, é garantir a proteção dos direitos fundamentais no ambiente virtual.

E se por um lado cresce o sentimento de insegurança sobre a reputação do serviço de microblog, por outro, o jornalismo tem a chance de se fortalecer como alternativa de informação confiável. Para isso, no entanto, além de aperfeiçoar suas estratégias de produção e distribuição da notícia, precisa se firmar como modelo de negócio sustentável.

140 caracteres que mudaram o mundo

Fundada em 2006, o Twitter é uma das redes sociais mais populares do mundo. Chegou com uma proposta simples, mas ousada, que fez até os mais experientes dos jornalistas desafiarem sua capacidade de síntese: dizer o que precisava ser dito em 140 caracteres.

Atualmente, a plataforma está disponível em 35 idiomas e tem 436 milhões de usuários cadastrados. Segundo o Twitter, são 217 milhões ativos no último trimestre de 2021. Isto é, pessoas que efetuaram login ou foram autenticadas e acessaram a rede em um determinado dia, tanto pelo no navegador, quanto pelo app.

O Brasil tem a quarta maior base de usuários. Em janeiro deste ano, mais de 19 milhões de brasileiros acessaram o Twitter, conforme levantamento da empresa de análise de dados Statista. Na frente, estão apenas Estados Unidos (76,9 milhões), Japão (58,9 milhões) e Índia (23,6 milhões).

E embora os números ainda estejam bem distantes das concorrentes (ver gráfico abaixo), o grau de influência e o potencial de crescimento da rede despertaram o interesse do fundador da Tesla e da SpaceX.

Elon Musk deve comprar o Twitter por US$ 44 bilhões (cerca de R$ 215 bilhões), o que faz dessa a terceira maior transação da indústria tecnológica de todos os tempos – e a maior já realizada entre uma empresa e uma única pessoa.

A “crise de identidade” e os desafios do jornalismo digital

Não foi só a capacidade síntese que o Twitter e o “fast content” das redes sociais impuseram ao modo de fazer jornalismo. Após um longo período de adaptação ao rádio e à TV, e de terem sobrevivido à primeira onda da internet, os publishers vivem nos últimos anos a empreitada de consolidar um modelo de negócio sustentável em meio às big techs.

E os desafios do jornalismo digital são muitos: com os espaços de publicidade digital sendo monopolizados pelas plataformas digitais, a popularização dos apps de mensagens instantâneas, as falhas de moderação de conteúdo nas redes e a indústria das fake news, podemos dizer que o jornalismo enfrenta uma espécie de “crise de identidade”.

Mas algumas alternativas para isso têm sido testadas mundo afora. Uma delas é a taxação de links, as chamadas link tax. Nesse modelo, as plataformas são obrigadas a negociar acordos de licenciamento com publishers para artigos e notícias que aparecem em hiperlinks nos mecanismos de buscas e feeds, como Google e Facebook.

A Austrália foi o primeiro país a editar uma legislação do tipo, seguida pela França. Além delas, Reino Unido, Canadá, Indonésia e Áfria do Sul também consideram adotar regulações semelhantes, de acordo com relatório publicado em março pelo Instituto Judith Neilson, organização filantrópica australiana que financia projetos de mídia.

Alternativa polêmica 

Quem é contrário ao link tax defende que, se a lei exige pagamento por tráfego, a tendência é de que as plataformas passem a investir em instrumentos para “prender” a audiência e, assim, a ideia de combater o monopólio das big techs teria um efeito contrário.

Além disso, críticos da tributação de links apontam que o interesse de compartilhar suas notícias nas redes sociais e sites de busca é dos próprios publishers. Afinal, a quem interessa limitar o potencial de circulação do seu conteúdo se, mesmo não trazendo retorno financeiro de clicks, produz outros ganhos, como reconhecimento de marca, construção de autoridade e potencial de receita publicitária?

A verdade é que, a favor ou contra, precisamos ir além quando o assunto é a sustentabilidade do jornalismo. Se o modelo de paywalls não funciona para todos os conteúdos e as receitas de publicidade são canalizadas pelas adtechs, os publishers precisam estar abertos a outras estratégias de monetização do conteúdo.

Financiamento no jornalismo digital

Estratégias de monetização no jornalismo digital

A sustentabilidade financeira é um dos maiores desafios do jornalismo digital. Por isso, aqui no Blog da Robox, esse é um assunto recorrente. Desde o modelo de assinaturas, passando pelos passes diários, até a monetização de produtos digitais, como apps e newsletters. 

Nosso compromisso é ajudar publishers e editores na missão de construir negócios perenes.

“Ter paixão pelo jornalismo e contatos entre financiadores é importante, mas quais outros caminhos de gestão, compartilhamento de conhecimento e atuação em rede são necessários e possíveis para construir estratégias e modelos de negócios que se sustentem no Brasil?”

A reflexão acima foi extraída de uma das mesas do Festival 3i e resume bem a inquietação que estamos analisando neste artigo.

Inspirada nela, elencamos a seguir 3 estratégias fundamentais para quem planeja monetizar seu conteúdo e deixar de ser refém dos anúncios publicitários:

1- Vá além do básico, entregue valor

É óbvio, mas precisa ser dito! Não dá pra concorrer com as redes sociais no quesito “furo de reportagem”, concorda? Para se destacar hoje em dia, o conteúdo precisa ser mais analítico, contextualizado, com opiniões relevantes e dados aprofundados.

Em outras palavras: se as redes sociais redefiniram o que é “instantâneo”, talvez seja hora de desacelerar e investir em um jornalismo de qualidade!

2- Desenvolva o potencial de descoberta do seu conteúdo

Agora, mais do que nunca, os publishers precisam apostar em ferramentas que conectem o conteúdo aos usuários. E não estamos falando apenas das técnicas de SEO focadas nos mecanismos de busca, embora elas continuem sendo muito importantes.

Estude o comportamento do seu leitor, foque na experiência do usuário e distribua seu conteúdo de maneira estratégica. Vale, inclusive, criar novos produtos. Que tal newsletter?

Newsletter formato ideal para produtores de conteúdo

3- Produza um conteúdo viralizável e transmidiático

A terceira onda da internet, também chamada de Web 3.0, é caracterizada pela democratização e descentralização das informações. Por isso, conhecer muito bem sua audiência e produzir um conteúdo que esteja alinhado com seus valores são tão importantes.

Ou seja: sua comunicação deve ser capaz de cativar uma rede de leitores que confiem nela e se sintam motivados a passá-la adiante. 

Diferença entre audiência e comunidade de assinantes

E aí, curtiu?

Neste artigo, falamos sobre como a compra do Twitter está impactando na confiança dos usuários a respeito das informações que circulam na rede, analisamos a “crise existencial” do jornalismo na era digital e elencamos 3 estratégias para quem planeja investir em monetização de conteúdo.

Quer ir além? Vem de Robox!
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