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Jornalismo TikTok e memes: novos formatos contra a desinformação

Lara Ximenes 8 min de leitura 24 de março de 2022
jornalismo tiktok

Ao longo do mês de março, aconteceu a edição 2022 do Festival 3i, evento que debate o jornalismo inovador, inspirador e independente em todo o Brasil. O evento é uma realização da AJOR (Associação de Jornalismo Digital) com apoio do Google News Initiative e Meta.

Como esse é um assunto de máxima relevância para publishers, nós da Robox não ficamos de fora e acompanhamos alguns painéis e discussões incríveis.

Um deles foi o painel Jornalismo TikTok, Memes e Gifs contra a desinformação, que discutiu como o jornalismo pode  (e deve!) se apropriar dos novos formatos que surgem no digital. Neste artigo, vamos destrinchar e resumir os principais pontos desse encontro virtual, para que mais publishers tenham acesso à essas informações.

Sobre o painel

“A publicidades se joga, mas o jornalismo fica se perguntando: dá pra entrar aí? Como? Vai machucar? Quando descobrimos a resposta, o campo já está tomado por fake news e por dancinhas divertidas. Não percamos mais tempo”, reflete a descrição do painel, lembrando que para se manter vivo, o jornalismo precisa ir até onde o público está.

A conversa, riquíssima e cheia de insights interessantes, contou com a mediação de André Deak, professor de Jornalismo e Cinema da ESPM, e a presença de Natalia Lujan, jornalista do portal Distintas Latitudes,  Ian Alves, repórter de Interação e Mídias Sociais na Folha de São Paulo e Natali Carvalho, redatora da Newsletter Garimpo, do Núcleo Jornalismo – inclusive, já falamos de outras newsletters do Núcleo neste artigo.

O que aprendemos sobre Jornalismo TikTok, Memes e Gifs

Meme também é cultura!

Ao iniciar o painel, André Deak nos lembrou que já é possível reconhecer que a cultura do meme é diversa. Além de transmitir humor, ela pode ser educativa e didática, como as charges, que já são velhas conhecidas do jornalismo.

Além disso, a diversidade também se faz presente no perfil de quem produz e veicula memes. Pessoas de todas as idades, raças e classes podem criar um viral. Isso viabiliza mais vozes e olhares plurais sobre os assuntos, visto que tal diversidade nem sempre é encontrada nas redações tradicionais.

A newsletter Garimpo, por exemplo, é um produto inovador do Núcleo Jornalismo, que consegue traduzir o cotidiano através dos memes mais comentados da web.

A curadoria da Garimpo busca filtrar, contextualizar e explicar o que está rolando de novo nas redes sociais, de forma que seus assinantes não precisem estar, o tempo todo, conectados no meio de tanta informação.

“Se um assunto está sendo comentado em várias bolhas, existe interesse público nisso – e esse interesse merece um olhar do jornalismo. Isso é um compromisso da profissão”, lembra a redatora da news, Natali Carvalho.

O jornalismo não precisa se descaracterizar só para estar no TikTok

Se o jornalismo deve ir onde público está, o TikTok não pode ser ignorado. Afinal, mais de 60% da Geração Z (1997-2012) usa o TikTok, de acordo com pesquisa do Insider Intelligence/eMarketer.

No exterior, veículos como The Washington Post e NBC News já têm uma equipe que se especializou apenas em TikTok. Aqui no Brasil, a Folha de São Paulo também investiu no formato. Ian Alves, repórter de Interação e Mídias Sociais do jornal, enfatiza a importância de olhar antes de manter a função jornalística do conteúdo, que é passar a informação. “É importante ter um conteúdo rico para além de uma edição rica”, define Ian.

Em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), “Jornalismo no TikTok”, Ian identificou que as redações esbarram em alguns desafios na hora de trabalhar com o TikTok:

  1. Se adaptar ao ritmo e à linguagem da plataforma

    Os 3 primeiros segundos são essenciais e é preciso um investimento de tempo e estudo do formato para se adequar a ele.

  2.  Manter a função jornalística

    Não adianta ter uma bela edição e esquecer do conteúdo!

  3. Abordar temas sérios

    Para Ian, é possível falar de pautas sérias no TikTok. Não se trata de entregar “leveza” à conteúdos espinhosos, e sim de contar as histórias de uma forma mais dinâmica. Ele lembra, também, que é um mito achar que as pessoas não se interessam por pautas sérias no TikTok. “Lá não é um ambiente só de dancinhas e coisas fúteis, existem profissionais disseminando informações de forma que faça sentido na plataforma”, pontuou o jornalista.

  4. Justificar a adesão internamente, para a diretoria do jornal/publicação

    Gestores precisam ter em mente que estar presente no TikTok é garantir que novas gerações cresçam acompanhando a sua publicação, o que ajuda na construção de marca. Consequentemente, no futuro, um jovem que segue perfis jornalísticos no TikTok pode virar um assinante, pois lembrará do jornal/revista/portal que tinha como referência.

    Além disso, é normal que pessoas mais velhas passem a aderir à rede social com o passar do tempo, conforme aconteceu com o Facebook anos atrás, antes frequentado apenas pelos “early adopters” (ou seja, usuários que adotam primeiro a plataforma, em sua maioria jovens).

Complementando a discussão, a jornalista Natalia Lujan, do portal Distintas Latitudes, trouxe a visão de que não só o potencial viral do TikTok é importante, mas a sua capacidade de alcançar novos públicos. “É uma ferramenta para o jornalismo, que não deixa se ser legítimo só por está no TikTok”, afirmou a repórter do Distintas Latitudes, portal que visa cobrir de forma crítica todos os assuntos da América Latina e Caribe.

Além de ter forte presença nas redes sociais, o Distintas Latitudes também conta com um espaço chamado Comunidad Latam, para assinantes e apoiadores do portal fomentarem diálogos e discussões. Na Comunidad Latam, os assinantes também podem fazer consultorias com jornalistas e profissionais multidisciplinares para projetos que dialoguem com a temática do portal. Essa é uma forma muito interessante de agregar valor à uma assinatura além do conteúdo: investindo em comunidades e produtos inovadores, como newsletters, grupos exclusivos, materiais transmidiáticos.

Em suma, “é preciso disputar na fronteira do algoritmo”

A frase acima foi de autoria do André Daek, em uma das discussões do painel levantadas por perguntas dos participantes.

De fato, o digital demanda novos skills dos profissionais de comunicação e mídia. As técnicas de SEO são um deles. Outro, é o entendimento do algoritmo.

Para Natali, é preciso dominar a forma que o algoritmo funciona e encará-lo de frente, e não render-se a ele. “Para alertar as pessoas e gerar conteúdo sobre segurança digital, fake news, novas plataformas e algoritmos, é preciso imergir no assunto, entendê-lo. Assim, é possível explicar ao público porque certos conteúdos chegam às suas linhas do tempo, por exemplo”, afirma a jornalista.

Diante das lições apresentadas no painel, podemos concluir quão importante é para o jornalismo estar no tempo presente, olhando para o futuro sem medo de se transformar.

Gostou do nosso resumo? Você pode conferir esse e outros painéis no canal do YouTube do Festival 3i.

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