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O que é o Google News Initiative: um guia para publishers

Lara Ximenes 10 min de leitura 9 de maio de 2022
tela de notebook com logo do Google em destaque

Poucas indústrias sofreram tanto com o impacto da transformação digital quanto a de notícias. Publishers enfrentam, nas últimas décadas, novos desafios referentes à monetização e aos novos modelos de negócios no jornalismo.

Segundo o último mapeamento do Atlas da Notícia, 79 veículos jornalísticos brasileiros foram fechados em 2021, sendo a maior parte deles impressos. Estudiosos atribuem o fato à ascensão das big techs, como Google e Facebook, que passaram a monopolizar a publicidade paga, tirando dos publishers uma das maiores fontes de receita do jornalismo tradicional.

Entretanto, o mesmo mapeamento do Atlas mostra que a grande maioria dos veículos nacionais, atualmente, são totalmente digitais (cerca de 34% do total, sendo a rádio o 2º lugar, com 33,5%, e o impresso em 3º, com apenas 23,4%). Ou seja, a comunicação segue viva – mas em outro lugar. Afinal, os leitores, marcas, formadores de opinião, jornalistas e assinantes também estão no digital.

Além disso, a capilaridade do digital ajudou o país a diminuir os desertos de notícias, isto é, as áreas geográficas sem qualquer tipo de cobertura jornalística. Com o avanço do online, a cobertura mais abrangente de regiões tipicamente desprovidas de acesso à informação tornou-se possível.

Diante desses fatos e para compensar os impactos das próprias companhias no jornalismo tradicional, Google e Facebook (hoje Meta) criaram fundos de apoio ao jornalismo: o Google News Initiative e o Meta Journalism Project. Para entrar em maiores detalhes, vamos abordar primeiro, neste artigo, a definição e os objetivos do Google News Initiative.

monetizar conteúdo

O que é o Google News Initiative?

Criada em 2018, a iniciativa é definida pelo Google como uma forma de evoluir, elevar e empoderar o jornalismo na era digital.

Juntos, esses três pilares possibilitam novos modelos de sustentabilidade para organizações jornalísticas, fornecendo ferramentas tecnológicas (produtos digitais) para jornalistas, editais e financiamentos.

Só no primeiro ano, no Brasil, o GNI investiu cerca de R$ 36 milhões em iniciativas jornalísticas independentes e eventos como o Festival 3i, que debate inovação, e a CODA.br, conferência de jornalismo de dados do Brasil.

O senso de colaboração entre os pares e a valorização de equipes multidisciplinares são outros dois valores que fazem parte de ações do Google News Initiative, assim como a visão holística de produto nas redações.

Diferentes tipos de monetização de audiência, de acordo com o Google News Initiative

 

Contribuições

Contribuição é o modelo de monetização no qual os editores incentivam os usuários a contribuir ou doar para a organização, sem restringir o conteúdo principal em sua propriedade. 

Uma característica da contribuição é o apoio da comunidade, que enxerga valor na organização de notícias e acreditam que aquele conteúdo não deve apenas existir, como também permanecer acessível para todos. Geralmente, os veículos que trabalham com contribuições possuem valores editoriais claros e condizentes com o que a sua comunidade acredita.

Existe, ainda, a opção de oferecer benefícios para os membros apoiadores, como acesso a grupos exclusivos no WhatsApp Telegram, newsletters ou podcasts específicos para quem ajuda o veículo a se sustentar – sem que isso exclua gratuidade das notícias para todos. 

Contribuições também podem ser utilizadas simultaneamente às assinaturas – esta é, inclusive, uma tendência. A Local Media Association testou, nos EUA, um modelo de contribuição com mais de 200 publishers norte-americanos, que coletivamente arrecadaram cerca de US$ 1,6 milhões. Foi registrado que, entre os publishers que testaram o modelo, cerca de 70% das contribuições vieram de assinantes já existentes. 

Assinaturas 

Nisso, somos especialistas! Temos inclusive um ótimo artigo sobre a ascensão do mercado de assinaturas, que você pode ler clicando aqui. No mercado publisher, assinaturas são o modelo de monetização em que a comunidade paga uma taxa recorrente para acessar os conteúdos.

Exemplos de organizações de notícias com modelos de assinatura incluem The Wall Street Journal (EUA) e o Estadão (Brasil). Mas, dentro desse grande guarda-chuva que é o modelo de negócios por assinatura, existem vários subgêneros. Vamos conhecê-los:

Restrição de acesso por quantidade de artigos

Aqui, os publishers podem restringir o acesso ao conteúdo a um número determinado de artigos por usuário durante um período específico, geralmente de 30 dias. Por exemplo, cada usuário só pode acessar 5 artigos a cada 30 dias. Se desejar consumir mais conteúdos, precisará pagar uma assinatura.

São exemplos o The Atlantic (EUA), Jornal do Commercio (Brasil) e a Folha de S.Paulo (Brasil).

Restrição de acesso a conteúdo premium (ou freemium)

Esse modelo de monetização consiste em deixar disponível, para todos os usuários, apenas parte do conteúdo no portal. Geralmente, notícias de maior utilidade pública ficam disponíveis enquanto outras, mais robustas e atrativas, possuem paywall.

Aqui no Brasil, o Estado de Minas e o Portal Jota trabalham dessa maneira, bem como o Le Monde, na França.

Restrição de acesso a todo o conteúdo sem uma assinatura

Também conhecido como hard paywall (ou paywall rígido, em tradução livre), esse modelo é aplicado a publicações que restringem todo o conteúdo ao paywall, ou seja, o conteúdo fica restrito apenas para assinantes. 

Geralmente, os editores permitem exibir um trecho de seus conteúdos ou apresentar as primeiras frases de um parágrafo gratuitamente, para atrair assinantes com mais facilidade.Também há o recurso free trial, em que é possível fazer uma assinatura por um período gratuito para o usuário “degustar” o conteúdo antes de assinar.

Grandes portais de economia fazem uso do hard paywall, como o The Wall Street Journal (EUA) e Financial Times (Reino Unido).

Paywalls Híbridos 

Algumas publicações estão construindo modelos de assinatura que “combinam” mais de uma forma de monetização simultaneamente. Os paywalls híbridos são um exemplo. O Nexo Jornal, aqui no Brasil, possui algumas editorias livres para qualquer assinante e outras restritas ao paywall. 

Paralelamente, também executam o modelo de restrição por número de artigos – citado anteriormente, em que após um número específico de conteúdos consumidos no mês, o acesso torna-se restrito ao pagamento de uma assinatura. Eis o hibridismo do paywall. 

Associações

O Google News Initiative também considera o termo “Associação” para definir o clube de benefícios que uma organização de mídia pode oferecer aos assinantes, que nessa categoria são considerados “membros”. Esse modelo de monetização é bastante comum entre produtores de conteúdo no YouTube, que oferecem conteúdos e benefícios exclusivos para membros/assinantes. 

Existe também o termo crowdfunding, que conta com um financiamento coletivo de vários membros da comunidade (podendo ser um financiamento mensal ou não), que se assemelha à ideia de associação e complementa-se ao modelo de contribuição, citado anteriormente.

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Como a sua redação pode se beneficiar 

Se a sua iniciativa jornalística precisa de financiamento e apoio em ferramentas tecnológicas, se inscrever para os editais do GNI pode ser uma alternativa interessante.

Dois programas de financiamento já foram colocados em prática no Brasil. Em 2020, dez startups participaram da primeira edição do GNI Startup Labs, programa de aceleração de negócios jornalísticos do Google News Initiative. Foram elas as agências BORI, Tatu, Alma Preta Jornalismo, a revista AzMina e outros coletivos como o Fervura, São Paulo para Crianças, Galápagos, Núcleo Jornalismo, MyNews e Ponte Jornalismo. 

As empresas receberam recursos de até US$ 20 mil em financiamento, mentoria, treinamento e workshops sobre tópicos presentes na transformação digital: produto, marketing, construção de comunidade e captação de recursos financeiros.

Desafio da Inovação 

Além do Startup Lab, o GTI lançou, também no último ano, o Desafio de Inovação na América Latina. Expandindo as fronteiras do jornalismo digital, o programa está financiando projetos inovadores com grande potencial de impacto no ecossistema de notícias.

Ao todo, mais de 300 organizações jornalísticas da América Latina inscreveram-se e 21 projetos foram selecionados, em 9 países, por meio de um fundo de US$ milhões. No Brasil, 8 receberam o apoio do Google:

  • A Folha de São Paulo, com o projeto Voz Delas;
  • O Estado de Minas, com o projeto Scoop;
  • O grupo AppCívico, com o projeto Facts-NFT;
  • A Rede Gazeta, com o projeto Gazeta SDK;
  • A Revista AzMina, com o projeto Amplifica;
  • O Portal Marco Zero Conteúdo, em colaboração com outros nove sites jornalísticos do Nordeste brasileiro e a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), com o projeto “Acessibilidade jornalística: um problema que ninguém vê”;
  • O Projeto #Colabora, com a iniciativa Diário do Clima;
  • A agência de dados Fiquem Sabendo, com o Projeto Agenda Transparente. 

Vamos continuar essa conversa? 

Vale a pena conhecer o jornalismo independente que está sendo feito no nosso país! Para fomentar ainda mais o debate sobre o assunto, lançamos o primeiro #RoboxTalks, com a co-fundadora da agência Fiquem Sabendo, uma das organizações vencedoras do Desafio de Inovação listados acima.

Clique aqui para acessar gratuitamente.

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