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O que o fenômeno Casimiro pode ensinar sobre negócios por assinatura

Lara Ximenes 6 min de leitura 27 de janeiro de 2022
casimiro assinaturas

Foto: Divulgação/Instagram

 

Na última segunda-feira (24), o streamer Casimiro Miguel, fenômeno nas redes sociais e vencedor do prêmio Personalidade do Ano do Prêmio eSportes Brasil 2021, bateu o recorde de espectadores simultâneos em uma live da plataforma Twitch no Brasil, com mais de 545 mil usuários acompanhando a transmissão segundo o Globo Esporte.

A convite da Netflix, o streamer assistiu (e reagiu) em tempo real, com a sua comunidade, ao primeiro episódio da série “Neymar – O Caos Perfeito”. A ação superou o pico anterior de espectadores simultâneos do seu canal antes mesmo de iniciar a transmissão. Assim que iniciou, a live já passou de 500 mil seguidores nos primeiros minutos. Até o próprio Neymar participou!

Esse fato marcante para o meio digital chamou a atenção na web, levantando algumas questões e insights interessantes. Um deles foi observado pelo CEO da Feel The Match, Bruno Maia, em seu Twitter:

A colocação de Maia traz um insight muito interessante para quem observa e estuda o mercado recorrente: pertencimento é muito mais importante do que exclusividade. É um equívoco acreditar que a internet e a transformação digital estão isolando usuários – a realidade é que consumidor do século XXI tem desejo de pertencer a uma comunidade com a qual ele se identifica. E isso tem tudo a ver com assinaturas!

Assinaturas e o senso de pertencimento

Fazer parte de um grupo social é uma característica inerente ao ser humano, que está totalmente alinhada ao modelo de negócios por assinatura. Não é à toa que, entre as diversas mudanças pelas quais o mercado recorrente vem passando, o surgimento de comunidades foi uma das mais significativas – sejam elas comunidades de membros de clubes de assinaturas, assinantes de publicações independentes e portais de notícias ou até mesmo de produtores de conteúdo, como o próprio Casimiro. 

Entendemos que a principal diferença entre comunidade e audiência é que as audiências são passivas, enquanto comunidades estão em constante atividade e interatividade. Uma comunidade pode se mobilizar em prol de causas, interesses e valores compartilhados. 

A partir do momento em que um grupo de pessoas confia numa empresa, publicação ou influenciador, é possível que elas se sintam parte de uma “tribo”, disposta a demonstrar apoio à medida que se sentir valorizada como membro dessa tribo. Por isso, focar no relacionamento com a sua comunidade de assinantes é tão vantajoso quanto focar em números (de assinantes).

Publishers: ainda podem sobreviver sem um modelo de assinatura

Senso de pertencimento e novas formas de influenciar

Para Beatriz Guarezi, especialista em branding e curadora da newsletter Bits to Brands, Casimiro é “a cara da nova influência”, pautada principalmente pela construção de uma comunidade que ama pertencer e se reconhecer.

“É impossível falar a palavra “Casimiro” em qualquer grupo de Whatsapp e não gerar uma certa comoção. As pessoas amam amar, e amam recomendar seus vídeos favoritos. Eis aqui o primeiro segredo: Casimiro começou nos esportes, mas se tornou comentarista de uma série de assuntos completamente aleatórios.”, afirmou Guarezi na edição #153 de sua newsletter, na qual ela analisou a popularidade do streamer.

“A autenticidade e espontaneidade com que ele reage aos conteúdos e conta as suas histórias prende a atenção das pessoas madrugada adentro, e populariza o seu jeito de falar. O que nos traz ao terceiro elemento: pertencimento. Você fala em Casimiro, alguém fala “METEU ESSA?” e quem entende se sente amigo de infância do outro instantaneamente, graças a uma linguagem própria e uma série de memes que só quem conhece entende.”, explica a especialista. 

“O homem é, por natureza, um animal social”

No artigo “5 fatores que influenciam a jornada do consumidor de clubes de assinatura”, o CGO da Robox, Thiago Lins, afirma que o senso de pertencimento é um dos motivadores no comportamento dos consumidores de clubes de assinatura.

Para Lins, a característica social se manifesta em todos os aspectos da vida humana, inclusive no ato de consumir. Dessa forma, os hábitos de compra das pessoas dizem muito sobre suas personalidades.

“Se viver em sociedade é uma prerrogativa básica humana, tudo que consumimos ajuda a nos posicionar junto à nossa ‘tribo’. Não é à toa que o termo ‘clube’ esteja associado a um grupo de pessoas”, lembra o CGO. “Uma forte motivação de compra em clubes de assinatura se dá ao senso de pertencimento gerado. Qualquer clube, por definição, é a reunião de um grupo de pessoas que compartilham os mesmos interesses”, explica o diretor de crescimento da Robox, trazendo uma reflexão para todos os envolvidos na economia de recorrência: 

  • Como está o trabalho de moderação da sua comunidade? 
  • Como você promove a interação entre seus assinantes? 
  • Você traz temas pertinentes para debater? 
  • Como está seu trabalho de pós-venda? 
  • Você participa ativamente em fóruns e grupos de discussão de temas relativos ao seu clube?

Em suma, trabalhar o pertencimento também é pensar na retenção. E retenção é o maior indicador de sucesso para o modelo de negócios por assinatura.

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